Quando falamos, a entonação com que pronunciamos as palavras diz tanto quanto seu significado de dicionário. Às vezes, inclusive, utilizamos o tom para modificar o sentido literal daquilo que dizemos.
Já a escrita pode valer-se dos mais diversos recursos sonoros, desde o ritmo impresso à cadência das frases até a repetição de fonemas enquanto unidades dotadas de “carga sensorial”, capazes de sugerir idéias e despertar sensações.
A poesia é o gênero literário que mais exige da percepção sonora do leitor. Ler bem um poema depende, necessariamente, de perceber-lhe o ritmo e interpretar sua forma sonora em relação ao seu significado geral.
Daí que a poesia seja, dentre todos, o gênero mais indicado como objeto de estudo para se dominar o primeiro nível gramatical, que é o fonético.
Neste Intensivão, estudaremos alguns dos melhores autores de poesia em língua portuguesa, como Gonçalves Dias, Cecília Meireles, João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira, afiando nossos ouvidos à modulação de vozes que levaram o canto poético a grandes alturas.